Compartilhar

Com a desistência do condenado e inelegível Arruda, Celina chega a 56,1% dos votos e pesquisa aponta vitória no 1º turno

Publicado em: 27/09/2026 15:10

Levantamento do Instituto IGAPE coloca governadora 34 pontos à frente de Leandro Grass no recorte de votos válidos; percentual supera a maioria absoluta exigida para encerrar a eleição já em 4 de outubro

A saída de José Roberto Arruda da disputa pelo Governo do Distrito Federal produz um novo cenário eleitoral — e, na fotografia captada pelo Instituto IGAPE, Celina Leão aparece acima da linha necessária para uma vitória no primeiro turno.

No levantamento realizado sem Arruda entre as opções apresentadas aos entrevistados, Celina alcança 56,1% dos votos válidos. Leandro Grass aparece em segundo lugar, com 22,1%.

A diferença entre os dois é de 34 pontos percentuais.

O dado mais relevante, entretanto, está no patamar alcançado pela governadora: os 56,1% representam mais da metade dos votos válidos.

Pelas regras aplicáveis à eleição para governador, se esse percentual fosse reproduzido nas urnas em 4 de outubro, Celina seria reeleita no primeiro turno.

Isso não significa que a eleição esteja definida. Pesquisa eleitoral mede as intenções declaradas pelos entrevistados durante determinado período e não constitui previsão ou garantia do resultado das urnas.

Celina aparece com 56,1%; Grass tem 22,1%

No cenário de votos válidos sem José Roberto Arruda, os números apresentados pelo IGAPE são:

Celina Leão — 56,1%

Leandro Grass — 22,1%

Paula Belmonte — 7,5%

Ricardo Cappelli — 5,5%

Kiko Caputo — 4,1%

Elisson — 1,5%

Professora Samara Mineiro — 1,1%

Expedito Mendonça — 0,9%

Professor Robson — 0,6%

Rico Pinheiro — 0,6%

Os percentuais totalizam 100% dos votos válidos considerados nesse cenário.

Celina aparece, portanto, com mais votos válidos do que a soma registrada por todos os demais candidatos apresentados no levantamento.

O número que interessa para o primeiro turno: 50% mais um

Para compreender a importância dos 56,1%, é necessário olhar para a regra utilizada na eleição de governador.

A Constituição e a legislação eleitoral estabelecem o sistema de maioria absoluta para a eleição dos chefes do Executivo.

Na prática, para vencer no primeiro turno, uma candidatura precisa obter mais da metade dos votos válidos.

Votos em branco e nulos ficam fora dessa conta.

Caso ninguém ultrapasse essa barreira, os dois candidatos mais votados seguem para uma segunda votação.

Por isso, o resultado apresentado pelo IGAPE coloca Celina, dentro desse cenário específico da pesquisa, 6,1 pontos percentuais acima da marca de 50%.

Se os mesmos percentuais fossem registrados oficialmente nas urnas, não haveria segundo turno.

Saída de Arruda muda a fotografia da disputa

Há uma particularidade essencial para interpretar os números: o cenário não inclui José Roberto Arruda.

O ex-governador teve o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral e anunciou, após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que não apresentaria novo recurso e encerraria sua participação na disputa.

A retirada de um candidato que vinha registrando percentuais relevantes em pesquisas anteriores necessariamente modifica as alternativas apresentadas ao eleitor.

Isso não significa que os votos anteriormente atribuídos a Arruda sejam automaticamente transferidos para Celina ou para qualquer outro concorrente.

Eleitores podem escolher outro candidato, permanecer indecisos, votar em branco ou nulo ou até decidir não comparecer.

O levantamento do IGAPE oferece justamente uma primeira fotografia de como a disputa aparece quando Arruda deixa de ser apresentado entre as opções.

Celina abre 34 pontos sobre o segundo colocado

Outro número que chama atenção é a distância entre os dois primeiros colocados.

Celina registra 56,1% dos votos válidos contra 22,1% de Leandro Grass.

São 34 pontos percentuais de diferença.

Paula Belmonte aparece na terceira posição, com 7,5%, seguida por Ricardo Cappelli, com 5,5%, e Kiko Caputo, com 4,1%.

Os demais candidatos ficam abaixo de 2% dos votos válidos no cenário apresentado.

A margem de erro informada pelo levantamento é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O que são votos válidos?

O conceito costuma ganhar importância justamente quando as pesquisas começam a indicar a possibilidade de uma eleição terminar no primeiro turno.

Votos válidos são aqueles efetivamente destinados a algum candidato.

Os votos brancos e nulos são registrados normalmente pela Justiça Eleitoral, mas não entram no cálculo utilizado para determinar se um candidato alcançou a maioria absoluta.

Imagine, por exemplo, uma eleição com 100 votos depositados, dos quais dez sejam brancos ou nulos.

Nesse caso, existem 90 votos válidos. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisaria obter mais da metade desses 90 votos — e não mais da metade dos 100 eleitores que compareceram.

É justamente por isso que institutos e veículos de comunicação frequentemente apresentam, além da intenção de voto total, um recorte específico de votos válidos.

Pesquisa ouviu 2 mil eleitores

O levantamento foi realizado pelo IGAPE — Instituto Gazeta de Pesquisas com 2 mil eleitores do Distrito Federal.

As entrevistas ocorreram entre 22 e 26 de setembro de 2026.

A margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número DF-00171/2026 e tem divulgação autorizada a partir deste domingo, 27 de setembro.

O registro das pesquisas eleitorais é obrigatório e deve ser feito previamente no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle).

Pesquisa é fotografia, não resultado antecipado

Embora os 56,1% coloquem Celina acima do patamar necessário para uma vitória em primeiro turno, há uma diferença fundamental entre intenção de voto e voto efetivamente depositado na urna.

O levantamento registra aquilo que os entrevistados declararam durante os dias de realização da pesquisa.

Até 4 de outubro, eleitores podem mudar de opinião. A campanha continua, novos fatos podem surgir e candidatos ainda disputarão os votos dos indecisos e daqueles que reavaliam suas escolhas após a saída de Arruda.

A margem de erro também precisa ser considerada na leitura dos percentuais.

Portanto, a pesquisa não permite afirmar antecipadamente que Celina será reeleita no primeiro turno.

Ela permite uma conclusão mais precisa: no cenário medido pelo IGAPE entre 22 e 26 de setembro, sem José Roberto Arruda entre os candidatos, Celina Leão registra percentual de votos válidos que, se confirmado nas urnas, seria suficiente para vencer no primeiro turno.

Uma semana decisiva para o Buriti

A eleição está marcada para 4 de outubro.

Caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro, entre os dois mais votados.

Com a saída de Arruda e a reorganização da disputa, os últimos dias de campanha ganham peso ainda maior.

Celina chega a essa etapa com 56,1% dos votos válidos no cenário pesquisado pelo IGAPE. Grass aparece com 22,1%, enquanto os demais candidatos disputam parcelas menores do eleitorado.

A pergunta que dominará a última semana, portanto, está colocada: os números permanecerão nesse patamar até domingo ou a movimentação final dos eleitores levará a disputa pelo Palácio do Buriti para o segundo turno?

A resposta não está na pesquisa.

Estará nas urnas.

Faça um comentário