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Empreenda Mulher conclui primeira turma em Santa Maria
Cerca de 20 mulheres que moram nas proximidades da saída sul do Distrito Federal estiveram presentes na sede da Escola Técnica de Santa Maria, na tarde da última quarta-feira, 19 de agosto, para a cerimônia de certificação da primeira turma do Programa Empreenda Mulher na região. O evento marcou o encerramento da trilha de capacitação promovida pelo Sebrae no Distrito Federal em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher do DF, reunindo as participantes para a entrega dos certificados após a conclusão dos módulos.
O programa teve como objetivo difundir conhecimentos e fortalecer as dimensões comportamentais das mulheres participantes, apresentando o empreendedorismo como alternativa de geração de renda, autonomia financeira e ruptura do ciclo de dependência econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade.
A trilha consistiu em seis encontros presenciais, realizados às quartas-feiras, que combinaram palestras e oficinas práticas. Os módulos foram desenhados para abranger desde aspectos técnicos, como gestão financeira, precificação, marketing e boas práticas na manipulação de alimentos, até competências essenciais para o desenvolvimento de negócios sustentáveis.
A analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios do Sebrae no DF, Rafaela Ferreira, acompanhou as participantes ao longo da trilha e, na cerimônia de certificação, transmitiu uma mensagem de incentivo às mulheres, na qual destacou o potencial transformador do empreendedorismo e a importância de criar um ambiente de acolhimento, no qual o compartilhamento de histórias de superação funcionou como combustível necessário para quebrar barreiras emocionais e transformar a perspectiva de mulheres de diferentes realidades.
“O programa não se limitou a transmitir conhecimentos técnicos; ele se tornou um verdadeiro catalisador de transformação. Ao criar um espaço acolhedor, onde as mulheres puderam compartilhar suas histórias e experiências, conseguimos fomentar uma rede de apoio que vai além da sala de aula. Todas essas mulheres perceberam que não estão sozinhas e reconheceram suas semelhanças, o que impulsionou cada uma a romper barreiras. Assim, o impacto do empreendedorismo se torna ainda mais significativo, promovendo mudanças profundas em suas vidas e comunidades”, pontuou Rafaela.
A gestora nacional de Simplificação e Inclusão Socioprodutiva no Sebrae Nacional, Helena Rêgo, também acompanhou a cerimônia de certificação em Santa Maria e destacou o papel do Sebrae na ampliação de oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, iniciativas como o Empreenda Mulher abrem caminho para que essas mulheres possam, de fato, escolher o empreendedorismo como alternativa de renda.
Para Helena, muitas mulheres já exercem, de alguma forma, o empreendedorismo, mesmo sem reconhecer essa condição, muitas vezes por meio de bicos, diárias e trabalhos informais que complementam a renda familiar. O programa cumpre, justamente, o papel de resgatar esse reconhecimento e transformar essa prática informal em um caminho estruturado rumo à autonomia financeira e à emancipação, inclusive em contextos de violência doméstica, quando a ausência de renda própria pode ser um obstáculo à ruptura com um relacionamento abusivo.
“O papel do Sebrae é apoiar, fornecendo soluções para que elas possam resgatar esse reconhecimento nelas mesmas, apresentando o empreendedorismo como uma via concreta de emancipação e autonomia, para que tenham, acima de tudo, o poder de escolha sobre suas próprias vidas”, afirmou Helena.
A diretora da Escola Técnica de Santa Maria também enalteceu o trabalho pelo Sebrae e comentou que a parceria entre as instituições tem cerca de três anos e funciona como alicerce para a viabilização de cursos de capacitação na região desde a inauguração da unidade. Para Deise, o apoio da instituição foi fundamental para preencher uma lacuna inicial na oferta de cursos técnicos e, ao longo do tempo, consolidou-se como um pilar de transformação social, atraindo um número cada vez maior de mulheres em busca de qualificação profissional e independência.
Em especial sobre a entrega dos certificados, a dirigente ressaltou o impacto imediato da formação na realidade das alunas, que passaram a aplicar os conhecimentos técnicos e comportamentais em seus próprios negócios antes mesmo da conclusão das atividades da trilha.
“Receber as atividades do Empreenda Mulher e presenciar essa certificação foi uma forma de testemunhar, mais uma vez, o potencial do Sebrae e ver como a instituição abraça a comunidade de Santa Maria de forma carinhosa e respeitosa. Foi emocionante ouvir os depoimentos e ver que, mesmo antes de receberem o diploma, elas já estavam empreendendo e transformando suas vidas na prática. Para a Escola Técnica, é uma honra saber que fazemos parte dessa trajetória que gera autonomia e qualifica de verdade a nossa sociedade”, declarou a diretora.
A certificação do programa foi especial para Vivian Nogueira, moradora do Residencial Total Ville e com uma vida dedicada à confeitaria. O que começou como uma alternativa econômica para garantir os bolos de aniversário dos quatro filhos e, mais tarde, dos três netos, evoluiu para uma carreira consolidada na confeitaria. Hoje, além de produzir suas próprias receitas, Vivian compartilha seu conhecimento como professora voluntária em projetos sociais na região, incentivando outras mulheres a buscarem na gastronomia uma fonte de renda e dignidade.
A participação nas atividades do Empreenda Mulher representou o passo definitivo para a profissionalização de seu negócio, a Vivi Doces. Atuando como uma liderança local, ela mobilizou suas próprias alunas e colegas empreendedoras para participarem da capacitação e avaliou a realização da trilha como um divisor de águas necessário para separar o amadorismo da gestão empresarial estratégica.
“O programa despertou a necessidade de tirar o negócio de dentro de casa e estabelecer um ponto fixo, pois a demanda cresceu e o espaço doméstico já não comporta mais a produção. Já estou avaliando um espaço para a abertura da minha loja física aqui mesmo em Santa Maria, para atender os meus clientes com uma estrutura profissional”, celebrou Vivian.
Entre as mulheres incentivadas pela confeiteira estava Mamurya Pontes, mais conhecida como Mury e que atua como massoterapeuta desde o ano passado, após a conclusão de um curso técnico.
Atuando de forma autônoma e realizando atendimentos exclusivamente em domicílio na região de Santa Maria, Mury conta que já buscava uma maneira de organizar sua rotina e ampliar sua base de clientes, mas ainda se via limitada pela falta de conhecimento de ferramentas de gestão.
A participação no Programa Empreenda Mulher veio em um momento oportuno e foi o estímulo necessário para que ela ampliasse seus horizontes comerciais. A massoterapeuta destaca que a capacitação funcionou como uma verdadeira abertura de mente, apresentando recursos tecnológicos para o gerenciamento de clientes e estratégias de marketing digital que antes lhe eram totalmente desconhecidos. Mais do que o aprendizado técnico, o programa trouxe a clareza sobre a necessidade de profissionalizar a prestação de serviços, desde a organização das redes sociais até os trâmites legais para a saída da informalidade.
“O curso abriu minha mente para possibilidades que eu nem sabia que existiam, como o uso de aplicativos para gerir minha carteira de clientes e a importância fundamental de ter um CNPJ. Eu ainda atendo em domicílio e sonho com meu espaço próprio no futuro, mas o aprendizado agora me deu o norte para buscar a formalização imediata e levar meu trabalho a um nível muito mais profissional”, concluiu Mury.
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