Compartilhar
Terracap prepara novos bairros em Vicente Pires, Jardim Botânico e Guará e redesenha expansão urbana do DF
Projetos do Jóquei Clube, Tororó e QE 60 somam mais de mil hectares e preveem moradias, comércio, serviços, parques, ciclovias e infraestrutura urbana em diferentes regiões de Brasília
O mapa urbano do Distrito Federal deverá ganhar novos contornos nos próximos anos. A Terracap apresentou, nesta segunda-feira (24), três projetos considerados estratégicos para a expansão planejada da capital: o Setor Habitacional Jóquei Clube, em Vicente Pires; o Setor Habitacional Tororó, no Jardim Botânico; e a ocupação da QE 60, no Guará.
Juntos, os empreendimentos abrangem aproximadamente 1.066 hectares e apostam em um modelo que procura combinar moradia, comércio, serviços, equipamentos públicos, áreas verdes e espaços de convivência.
Os detalhes foram apresentados pelo presidente da Terracap, Júlio César de Azevedo Reis, que colocou Jóquei Clube e Tororó entre os projetos imobiliários de maior relevância previstos para o Distrito Federal nos próximos anos.
Mais do que simplesmente abrir novas áreas para construção, a estratégia anunciada pretende organizar o crescimento urbano com infraestrutura implantada de maneira gradual, evitando que a ocupação avance antes da consolidação dos serviços necessários.
Jóquei Clube terá parque onde funcionava antiga pista
Um dos projetos que mais chama atenção é o Setor Habitacional Jóquei Clube, em Vicente Pires.
A área possui aproximadamente 252 hectares e deverá ser transformada em um bairro de uso diversificado, reunindo residências multifamiliares, estabelecimentos comerciais, serviços, equipamentos públicos e espaços destinados ao lazer e à convivência.
O planejamento prevê 261 lotes com diferentes finalidades.
Um dos elementos de destaque será o aproveitamento da antiga pista do Jóquei. Em vez de desaparecer com a urbanização, o espaço deverá ser incorporado ao novo bairro como área de lazer, com parque, ciclovia, caminhos para caminhadas e ambientes de convivência.
A ideia é transformar uma estrutura que marcou a ocupação anterior do terreno em um dos principais espaços públicos da futura região.
Implantação será feita por etapas
A Terracap pretende adotar no Jóquei Clube uma estratégia diferente daquela utilizada inicialmente na implantação do Noroeste.
Segundo Júlio César, o novo bairro deverá crescer gradualmente. A infraestrutura será executada e os imóveis comercializados por etapas, permitindo a consolidação de cada trecho antes da abertura de uma nova frente de ocupação.
O projeto urbanístico já foi aprovado.
A Terracap trabalha agora nos procedimentos necessários ao registro do empreendimento e nas providências jurídicas, administrativas e orçamentárias que precisam ser concluídas antes da implantação da infraestrutura e da futura disponibilização dos terrenos.
Tororó terá 786 hectares e pretende criar nova centralidade
No Jardim Botânico, o Setor Habitacional Tororó representa um projeto ainda maior.
São aproximadamente 786 hectares planejados para receber lotes residenciais, comércio, serviços, equipamentos institucionais e áreas verdes.
A proposta vai além da implantação de um setor predominantemente residencial. O objetivo é criar uma nova centralidade urbana, fazendo com que moradores possam encontrar comércio, serviços e oportunidades econômicas dentro da própria região.
O projeto também prevê infraestrutura completa e espaços capazes de estimular atividades econômicas, emprego e geração de renda.
O planejamento urbanístico já foi aprovado por decreto e, segundo a Terracap, o empreendimento possui licença ambiental prévia.
As etapas atuais envolvem o licenciamento urbanístico e a estruturação dos projetos de infraestrutura, incluindo drenagem, pavimentação, fornecimento de energia elétrica e sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
QE 60 levará novo modelo de ocupação ao Guará
O terceiro projeto apresentado está na QE 60, no Guará, onde a Terracap trabalha com uma proposta de ocupação multifuncional e compacta.
O empreendimento terá aproximadamente 28 hectares e prevê 93 lotes destinados à comercialização.
A concepção reúne moradias multifamiliares e apartamentos com comércio, serviços, praças e áreas verdes. O objetivo é concentrar diferentes funções urbanas em uma mesma área, reduzindo a separação rígida entre espaços exclusivamente residenciais e setores destinados às atividades comerciais.
As etapas de infraestrutura contemplam drenagem e pavimentação, além dos projetos relacionados ao abastecimento de água e à rede de esgoto.
Mais de mil hectares de expansão planejada
Somadas, as três áreas chegam a aproximadamente 1.066 hectares. Mas cada empreendimento possui características próprias e encontra-se em uma etapa diferente do processo de implantação.
O ponto comum está na tentativa de direcionar o crescimento do Distrito Federal para áreas previamente planejadas e dotadas de infraestrutura.
A proposta da Terracap é conciliar a abertura de novas possibilidades habitacionais com atividade econômica e espaços públicos, procurando evitar modelos de expansão nos quais as moradias surgem primeiro e os equipamentos urbanos precisam correr atrás da ocupação posteriormente.
Nesse desenho, parques, ciclovias, praças, comércio e serviços deixam de aparecer apenas como complementos e passam a integrar o planejamento dos bairros desde sua concepção.
Novos endereços no horizonte de Brasília
Os projetos ainda dependem do cumprimento de diferentes etapas administrativas, ambientais, jurídicas e de infraestrutura antes que os novos terrenos efetivamente cheguem ao mercado.
Por isso, a apresentação feita nesta segunda-feira não significa ocupação imediata das áreas. Ela revela, porém, parte importante da estratégia territorial pensada para o futuro do Distrito Federal.
Vicente Pires, Jardim Botânico e Guará estão entre regiões que enfrentaram, em diferentes momentos, os efeitos de uma expansão urbana intensa. Ao projetar Jóquei Clube, Tororó e QE 60, a Terracap tenta conduzir a próxima etapa desse crescimento de forma previamente organizada.
Se os projetos avançarem conforme o planejamento apresentado, Brasília ganhará não apenas novos endereços, mas bairros concebidos para reunir no mesmo território moradia, trabalho, serviços, mobilidade, lazer e áreas verdes — uma mudança que poderá influenciar a forma como o Distrito Federal continuará crescendo nos próximos anos.
