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Excesso de gordura no sangue
Criado em 2003, o Dia Nacional de Combate ao Colesterol é celebrado em 8 de agosto com o objetivo de chamar a atenção da população para a prevenção de um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, responsáveis por milhares de mortes todos os anos no Brasil.
A data reforça a importância do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos, para manter os níveis de colesterol sob controle e minimizar os riscos de desenvolvimento de doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos.
Colesterol ruim e bom
O colesterol é uma substância gordurosa produzida naturalmente pelo organismo e também obtida por meio da alimentação. Essencial para a produção de hormônios, vitamina D e componentes das células, ele pode se tornar um problema quando está em excesso, especialmente o chamado LDL, conhecido como “colesterol ruim”.
De acordo com o médico cardiologista Fernando Curado, que atua na Secretaria de Saúde e Meio Ambiente do Trabalho da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), em níveis elevados, o LDL favorece o acúmulo de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto do miocárdio e de acidente vascular cerebral (AVC).
Já o HDL, popularmente chamado de “colesterol bom”, atua na remoção do excesso de colesterol da circulação sanguínea e contribui para a proteção do sistema cardiovascular. Por isso, além de reduzir o LDL, médicos também orientam medidas que favoreçam o aumento do HDL, como a prática regular de atividade física.
Como prevenir
Segundo Curado, na maioria das vezes, o colesterol alto não provoca sintomas. Por esse motivo, a realização de exames laboratoriais periódicos é fundamental, principalmente para pessoas com histórico familiar da doença e de enfermidades, como diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo, ou idade mais avançada.
Outro fator fundamental está ligado ao estilo de vida. “Precisamos do colesterol para viver, mas não podemos deixar o LDL aumentar em nosso organismo. Então, precisamos adquirir bons hábitos, como alimentação saudável, prática de exercícios físicos, além da realização periódica de exames”, orienta o cardiologista Fernando Curado.
A importância da alimentação saudável é endossada pela nutricionista Tatiana Cortes Mônaco. Também lotada na Secretaria de Saúde e Meio Ambiente do Trabalho da Alego, a profissional salienta que tais hábitos são essenciais para a manutenção da qualidade de vida. “Não temos que pensar somente no combate do aumento do colesterol ruim, mas na qualidade alimentar para manter a boa saúde”.
Tatiana Cortes aponta o excesso da ingestão de alimentos de origem animal, como carne gordurosa, excesso de manteiga e gema do ovo, além de frituras, fast foods e embutidos, como os principais causadores do aumento do “colesterol ruim”. Por outro lado, ela frisa que alimentos que são fonte de gordura boa e fibras auxiliam na manutenção do nível adequado do HDL, o “colesterol bom”, no organismo. A recomendação, portanto, é ter uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais.
Quando as mudanças de hábitos não são suficientes, o tratamento para equilíbrio do nível do colesterol consiste no uso de medicamentos específicos, prescritos por um médico.
Ampliação de políticas públicas para o diagnóstico precoce
Sobre o tema, tramita no Parlamento o projeto de lei nº 28388/25, de Virmondes Cruvinel (UB), com o objetivo de que o poder público estadual estabeleça uma política em favor das famílias que tenham integrantes com alta taxa de colesterol no sangue.
A proposta tem como foco estruturar e organizar o fluxo de atendimento, diagnóstico e tratamento da condição na rede pública de saúde no Estado, tendo como metas a prevenção de doenças cardiovasculares prematuras e a redução da morbimortalidade associada ao problema. Se o projeto for aprovado e receber sanção governamental, a ação será denominada Política Estadual de Capacitação e Atendimento à Hipercolesterolemia Familiar em Goiás.
O projeto de lei, conforme informa o texto, segue os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), além de recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Atualização da Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar.
Os objetivos específicos da medida incluem aumentar a taxa de diagnóstico por meio de estratégias de identificação precoce, reduzir a morbimortalidade cardiovascular prematura, promover a conscientização, capacitar profissionais e garantir acesso universal aos tratamentos.
Conforme justificativa da matéria, o diagnóstico tardio e a ausência de tratamento eficaz geram sofrimento humano para os pacientes e suas famílias, além de impor custos elevados ao SUS, uma vez que procedimentos complexos para tratamento de complicações cardiovasculares, como angioplastias, cirurgias de revascularização miocárdica e tratamento de acidente vascular cerebral, representam despesas significativas. O texto defende que essas despesas poderiam ser substancialmente reduzidas por meio de diagnóstico precoce e tratamento preventivo.