Compartilhar
“A festa é o resgate da nossa cultura”, diz líder quilombola em celebração que transforma tradição em desenvolvimento
“Esta festa representa o resgate da nossa cultura. Tenho o privilégio de estar à frente da associação e acompanhar tudo isso de perto. Ela valorizou o nosso quilombo, fortaleceu a nossa história e mantém vivos os ensinamentos que recebemos dos nossos antepassados.” A declaração de Osvaldo Francisco de Sousa, presidente da Associação Comunitária do Quilombo do Prata e nascido na comunidade, sintetiza o significado da 12ª Festa da Rapadura, realizada neste fim de semana, em São Félix do Tocantins.
Enquanto os tachos de cobre recebem o caldo da cana e o fogo conduz lentamente a produção da rapadura, o Quilombo do Prata reafirma um patrimônio que ultrapassa a tradição culinária. A receita preservada por gerações tornou-se um elemento de identidade coletiva e, ao mesmo tempo, uma alternativa concreta para geração de renda, fortalecimento do turismo de experiência e valorização da cultura quilombola.
A programação reuniu demonstrações da produção artesanal da rapadura, concurso gastronômico, apresentações culturais, comercialização de artesanato e alimentos produzidos pelas famílias da comunidade, além de iniciativas que reforçaram a identidade cultural do território. Promovida pela Associação Comunitária do Quilombo do Prata, a festa contou com o apoio do Sebrae Tocantins, da Energisa, por meio do projeto Energia pra Crescer, e da Prefeitura de São Félix do Tocantins. A iniciativa consolidou-se como uma estratégia de desenvolvimento local construída a partir dos próprios saberes da comunidade.
Ao longo dos últimos anos, a Festa da Rapadura ampliou seu alcance e deixou de ser apenas uma celebração comunitária. O evento passou a integrar a agenda de valorização do turismo de base comunitária no Jalapão ao demonstrar que práticas tradicionais também podem impulsionar pequenos negócios, ampliar mercados para produtores locais e incentivar a permanência das famílias no território. A cultura, nesse contexto, deixa de ocupar apenas um espaço simbólico para assumir papel central na dinâmica econômica da comunidade.
Essa transformação aparece no cotidiano de empreendedoras como Darlene Francisca de Sousa, moradora do Quilombo do Prata há quase 60 anos. Ainda antes do amanhecer, ela iniciou a preparação dos alimentos que comercializou durante a festa. Todo o trabalho foi realizado por ela própria, da produção ao preparo das receitas. “Acordei de madrugada para preparar tudo. Faço questão de produzir cada alimento com as minhas próprias mãos. A expectativa é vender tudo. Essa festa é muito importante porque resgata a cultura do nosso quilombo e mostra para quem vem de fora aquilo que aprendemos com nossos pais e avós”, afirma.
A valorização da gastronomia tradicional faz parte de um processo mais amplo de fortalecimento do empreendedorismo local. Nas semanas que antecederam o evento, empreendedores da comunidade participaram de consultorias e capacitações promovidas pelo Sebrae Tocantins, com orientações sobre atendimento, comercialização, organização dos produtos e qualificação dos pequenos negócios. O objetivo foi ampliar as oportunidades de geração de renda sem descaracterizar as referências culturais que tornam a festa uma das principais manifestações quilombolas do Tocantins.
Para Admary Monteiro, analista do Sebrae Tocantins, iniciativas dessa natureza demonstram que o desenvolvimento econômico pode nascer da valorização dos conhecimentos tradicionais. “A Festa da Rapadura mostra que cultura e empreendedorismo caminham juntos. Quando fortalecemos os pequenos negócios da comunidade, qualificamos os empreendedores e ampliamos as oportunidades de comercialização, também contribuímos para preservar um patrimônio cultural construído ao longo de muitas gerações. O desenvolvimento local acontece quando a própria comunidade protagoniza esse processo.”
A permanência e o crescimento da festa também refletem a atuação conjunta de instituições que apostam no desenvolvimento comunitário como estratégia de transformação social. O apoio oferecido à comunidade busca criar condições para que a tradição permaneça viva, ao mesmo tempo em que fortalece a autonomia econômica das famílias e amplia a visibilidade do Quilombo do Prata como destino de turismo cultural no Jalapão.
Para Lutiary Basílio, analista de Eficiência Energética da Energisa, a participação da empresa ultrapassa o apoio institucional ao evento. “Estamos muito felizes por, mais um ano, fazer parte da Festa da Rapadura. O _Energia pra Crescer_, projeto em parceria com o Sebrae, é a prova de que o papel da Energisa vai além do fornecimento de energia. Estar próximo da comunidade, apoiar sua cultura, valorizar suas raízes e fortalecer o desenvolvimento da região fazem parte desse compromisso”, comenta o gestor.
–