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Sessão solene homenageia profissionais das ciências mortuárias e destaca papel da necropsia para a justiça e memória
Sessão solene homenageia profissionais das ciências mortuárias e destaca papel da necropsia para a justiça e memória
Homenagem reuniu médicos legistas, peritos criminais, auxiliares de necropsia e estudantes da área
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na noite desta segunda-feira (22), sessão solene para homenagear os profissionais das ciências mortuárias atuantes na necropsia. A iniciativa, proposta pelo deputado Eduardo Pedrosa (União), reuniu médicos legistas, peritos criminais, auxiliares de necropsia e estudantes da área para celebrar uma categoria que, como lembrou o deputado na solenidade, atua na garantia de direitos fundamentais tanto para falecidos quanto para vivos.
Em seu discurso de abertura, Eduardo Pedrosa traçou um panorama histórico, afirmando que o cuidado com os mortos é uma característica definitiva de qualquer civilização sofisticada, citando desde os egípcios até relatos literários e bíblicos. Para o deputado, o trabalho dos legistas e técnicos representa o “direito à memória e à justiça”, garantindo que o último capítulo da história de vida de uma pessoa seja contado de forma verídica.
Pedrosa ressaltou que a atuação desses profissionais é um braço crucial da política científica, auxiliando na elucidação de crimes e na definição de responsabilidades civis e sucessórias. “Um cadáver nunca é simplesmente massa orgânica inerte. É a imagem de alguém que amou e foi amado”, declarou o parlamentar, enfatizando que a profissão exige, além de precisão técnica, uma profunda sensibilidade e humanidade.
O chefe da Polícia Científica de Águas Lindas de Goiás, Leonardo Antunes Rosa, destacou a importância da dignidade da pessoa humana no trato com os entes queridos que se foram, comparando a missão da polícia científica com a própria função política de servir ao próximo. Já o auxiliar de necropsia Leonardo Filipe Carvalho da Silva descreveu a responsabilidade do cargo, definindo a caneta de liberação de corpos como “a mais pesada do mundo”, por representar o momento final de dor de uma família que busca respostas e conforto.
O perito criminal Davi Rodrigues da Silva reforçou o caráter técnico da profissão, lembrando que o trabalho é baseado em evidências científicas. Ele destacou que os dados colhidos por esses profissionais são fundamentais para a formulação de políticas públicas em áreas sensíveis, como o combate ao feminicídio e a prevenção de overdoses. No campo da formação, o professor Flávio Campos da Silva, coordenador do CET Cursos, agradeceu o reconhecimento da Casa e pediu maior atenção à carência de profissionais no Instituto Médico Legal (IML) de Brasília.

Atendendo ao apelo dos profissionais, o deputado Eduardo Pedrosa informou que solicitou ao seu gabinete uma análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para verificar a viabilidade de emendas que garantam a previsão de novos concursos públicos para a área de necropsia e ciências mortuárias no Distrito Federal. “Não queremos apenas fazer um ato simbólico. Queremos criar um campo de trabalho para discutir demandas reais e levar essas pautas ao governo”, garantiu Pedrosa.
Ao final da solenidade foram entregues moções de louvor a diversos profissionais e estudantes que se destacaram por suas contribuições à ciência, à saúde pública e à justiça no DF. A sessão solene está disponível na íntegra no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.
