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Em noite de homenagens, FAJ destaca mulheres que transformam o DF

Publicado em: 10/06/2026 12:35

O auditório da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) recebeu, na noite desta terça-feira (9), a solenidade “Mulheres que Transformam”, promovida pela Fundação de Assistência Judiciária (FAJ/OAB-DF) para homenagear trajetórias marcadas por coragem, compromisso social e atuação em defesa da coletividade. Ao todo, 61 mulheres foram agraciadas, em cerimônia que também incluiu homenagem in memoriam a Regina Nascimento, representada pelo filho, Werner Felipe Nascimento, e a exibição de um vídeo institucional com imagens de todas as homenageadas.

A presidente da FAJ, Patrícia Guimarães, organizadora e anfitriã do evento, muito emocionada, destacou o caráter social da iniciativa e o desejo de aproximar a instituição da comunidade. “Agradeço a presença de cada um de vocês que estão aqui hoje! A primeira ideia que tive, ao fazermos esta solenidade de reconhecimento às mulheres, era homenagear aquela tia que distribui sopa na ponta do hospital de madrugada para pessoas e famílias carentes, mas não consegui achar a tiazinha da sopa e quem souber, me fala quem ela é, onde está”, iniciou Patrícia.

Ela explicou que a proposta se estruturou com a inclusão de advogadas e juristas, mas, fundamentalmente, foi pensada para a comunidade, para mulheres que trabalham muito, porém não são reconhecidas, ou permanecem invisibilizadas. “Um evento para mulheres que possivelmente não seriam homenageadas no seu dia a dia”, resumiu.

Ao assumir a FAJ, Patrícia percebeu ser essencial resgatar a origem da instituição como um braço social da Ordem: “vou trazer o povo para dentro da casa!”, afirmou. Ela recordou a importância histórica do trabalho da FAJ: “a sociedade tinha muito orgulho disso, e agora a gente retoma e traz a comunidade para conhecer a nossa OAB, conhecer os nossos serviços, porque esta é uma casa ampla!”

A presidente da FAJ também recordou o passado de exclusão e a necessidade permanente de combater discriminações. Destacou o orgulho de ser uma mulher negra e de hoje estar à frente da FAJ, a única fundação de assistência judiciária do Brasil. “Para mim, isso é motivo de muito orgulho!”

Patrícia prometeu ao público: “até 2027 podem ter certeza de que muito trabalho social será feito pela FAJ, mas com visibilidade para vocês, para a comunidade, para a sociedade, e com vocês aqui dentro desta casa participando. A gente está aqui para servir vocês. Recebam esta homenagem de todo o coração, de mim e de toda a minha diretoria; da OAB/DF! Sintam-se mesmo abraçadas, valorizadas”, concluiu.

A presidente da FAJ também disse que esta será uma cerimônia que passará a ser realizada anualmente. Leia aqui mais sobre a celebração.

Patrícia Guimarães, presidente da FAJ/OAB-DF, recebe a homenagem do presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, por sua gestão à frente da Fundação de Assistência Judiciária

O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, fez um elogio à história da FAJ e ao trabalho desenvolvido pela atual gestão de Patrícia Guimarães. “Pouca gente sabe, mas a nossa FAJ é precursora de ideias como a própria Defensoria Pública”, disse, ao lembrar o papel pioneiro da fundação. Poli também destacou o alcance social da iniciativa e o olhar da instituição para mulheres e grupos vulnerabilizados. “A FAJ tem hoje uma atuação muito humanizada, voltada ao combate à violência doméstica, à assistência às mulheres e às pessoas excluídas, e Patrícia é uma das mulheres mais valentes que já conheci na minha vida”, homenageou Poli. Reforçando o que pensa a presidente da FAJ, o presidente da OAB/DF destacou: “É para isso que a OAB serve, é para isso que a FAJ serve”.

A diretora de Mulheres da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, abriu sua fala com um reconhecimento ao público e à composição da mesa. “Que auditório lindo! Que auditório maravilhoso!”, disse. Em seguida, abordou a importância da presença feminina em espaços de decisão e a trajetória da Seccional na defesa da paridade. Lembrou que, a partir das gestões eleitas desde 2018, a OAB/DF atua respeitando a paridade, um modelo que foi ampliado para o sistema da OAB.

Nildete, por fim, valorizou o trabalho cotidiano das homenageadas: “Vocês são responsáveis por mudar a vida das pessoas, por transformar vidas”. Ela frisou: “Além de transformar a vida de pessoas, salvam vidas. Salvam vidas de verdade!”. E completou, em defesa da visibilidade dessas trajetórias: “É fundamental este reconhecimento”.

A presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal (CAADF), Lenda Tariana, levou à mesa uma reflexão sobre representatividade, liberdade e o lugar das mulheres na sociedade. “Foram anos de silenciamento”, disse, ao lembrar a necessidade de ressignificar padrões impostos às mulheres.

Ao falar do auditório, observou: “Eu olho para este auditório e vejo o tamanho da pluralidade de pessoas! Assim como deve ser”. Lenda também criticou a pressão histórica sobre a aparência feminina e a desigualdade no mercado de trabalho. “Mulheres já perderam a vida pela cor do batom”, afirmou.

Lenda ainda falou sobre a desigualdade de gênero: “Se mulheres ganhassem o mesmo tanto que homens, nós teríamos no mercado brasileiro, no PIB brasileiro, um aumento na economia brasileira”. E completou sobre sororidade: “Nós, mulheres, precisamos enxergar onde faltam mulheres”. Para ela, a presença feminina em espaços de poder é parte de uma agenda de justiça: “Quanto mais mulheres estiverem ocupando esse cargo, quanto mais consciência da liberdade que nós conquistamos ao longo desse tempo, mais nós conseguiremos fortalecer uma sociedade mais justa e equilibrada”.

O delegado Sérgio Bautzer, convidado a compor a mesa de honra do evento, destacou que, ao longo de sua trajetória profissional, pôde conferir de perto a importância da assistência jurídica aos mais vulneráveis. Ele lembrou o início da carreira, quando atuou como defensor dativo para garantir sustento e seguir nos estudos, um momento que aprofundou o seu sentimento sobre a relevância dessa assistência.

Ao falar da realidade nas delegacias, Bautzer chamou atenção para a dimensão social da FAJ: “A quantidade de pessoas hipossuficientes ou em situação de vulnerabilidade que são levadas, detidas, presas em flagrante […] é bem, os números são alarmantes”. Ele mencionou ainda a sua vivência na área da violência doméstica, constatando: “Se tem uma lei que pode ter certeza de que funciona é a Lei Maria da Penha”. Ao agradecer o convite, parabenizou as homenageadas e a organização da solenidade, destacando sua importância no contexto da sociedade.

Leia mais sobre este evento aqui:

Veja como foi a homenagem a Regina Nascimento:

Fotos: Alex Bandeira

Jornalismo OAB/DF

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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