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“Mulheres que Transformam”: íntegra do discurso da presidente da FAJ/OAB-DF, Patrícia Guimarães

Boa noite a todas e todos.
Hoje é uma noite especial.
Uma noite que representa a realização de um sonho.
Um sonho construído coletivamente dentro da FAJ, a Fundação de Assistência Judiciária da OAB/DF, o braço social da nossa Ordem.
A FAJ existe para acolher, orientar, capacitar e transformar vidas. E foi justamente desse propósito que nasceu o desejo de criar uma homenagem que reconhecesse mulheres que transformam a sociedade por meio do seu trabalho, da sua dedicação e do seu compromisso com o próximo.
Este projeto foi sonhado, debatido e apoiado pela Diretoria da FAJ, que acreditou na importância de eternizar histórias femininas que merecem ser vistas, valorizadas e reconhecidas.
Para esta primeira edição, realizamos escolhas difíceis.
Recebemos indicações, ouvimos sugestões e selecionamos algumas mulheres para compor esta noite histórica.
Mas quero dizer algo muito importante.
Muitas mulheres deveriam estar sentadas neste auditório hoje.
Muitas.
Mulheres que lideram projetos, acolhem pessoas, transformam comunidades, educam, cuidam e constroem diariamente um mundo melhor.
Infelizmente, ainda não conseguimos homenagear todas elas de uma só vez.
Seria impossível.
Porque existem mais mulheres extraordinárias do que qualquer premiação seria capaz de alcançar em uma única edição.
E foi exatamente por isso que decidimos transformar esta homenagem em uma tradição.
A partir de hoje, o prêmio Mulheres que Transformam passa a integrar a história da FAJ e será realizado anualmente.
Todos os anos teremos a oportunidade de ampliar esse abraço, reconhecer novas trajetórias e valorizar outras histórias inspiradoras.
Porque reconhecer mulheres que transformam vidas não pode ser um ato isolado.
Precisa ser um compromisso permanente.
E esta noite não fala apenas das homenageadas.
Ela fala sobre todas nós.
Sobre as mulheres que vieram antes.
Sobre as mulheres que estão aqui.
E sobre aquelas que ainda virão.
Eu olho para esta plateia e me emociono.
Porque conheço a força que existe por trás de muitas histórias aqui presentes.
Conheço as renúncias.
Conheço os desafios.
Conheço as lágrimas que ninguém vê.
Conheço as batalhas travadas no silêncio.
E talvez por isso esta homenagem tenha um significado tão profundo.
Porque cada mulher sentada neste auditório carrega uma história que merece ser contada.
Uma história de coragem.
Uma história de resistência.
Uma história de superação.
Eu também tenho a minha história.
E quando olho para minha trajetória, compreendo que grande parte da força que me trouxe até aqui vem das minhas origens.
Sou filha e neta de quilombolas.
Carrego comigo uma ancestralidade que sempre me ensinou sobre resistência, dignidade, coragem e liderança.
Mesmo não tendo vivido dentro do quilombo, cresci ouvindo histórias e aprendendo valores que moldaram a mulher que me tornei.
Aprendi que as mulheres da minha família nunca esperaram que alguém abrisse caminhos para elas.
Elas abriram os próprios caminhos.
Aprendi observando mulheres fortes, que cuidavam das suas famílias, trabalhavam, tomavam decisões, acolhiam, protegiam e lideravam.
E acredito que isso influenciou profundamente a minha construção pessoal.
Minha trajetória não foi construída de um dia para o outro.
Ela foi construída diariamente.
Com estudo.
Com trabalho.
Com desafios.
Com coragem.
Com persistência.
Alguns anos atrás, eu estava sentada na quarta fileira deste auditório recebendo minha carteira da OAB.
Naquele momento, eu não fazia ideia do que a vida reservava para mim.
Não imaginava que um dia estaria aqui.
Não imaginava as lutas que enfrentaria.
Não imaginava as conquistas que alcançaria.
E muito menos imaginava que estaria diante de tantas mulheres extraordinárias conduzindo uma noite tão significativa.
Aquela jovem advogada da quarta fileira ainda estava descobrindo quem era.
Hoje eu tenho orgulho de dizer que descobri.
Tenho orgulho de ser Patrícia Guimarães.
Tenho orgulho da minha origem.
Tenho orgulho da minha caminhada.
Tenho orgulho da mulher que me tornei.
E tenho orgulho porque entendi que minha trajetória não é apenas sobre mim.
Ela é sobre legado.
Ela é sobre abrir caminhos.
Ela é sobre mostrar para outras mulheres que é possível.
E é também sobre a minha filha, que está em casa.
Porque cada espaço que eu ocupo hoje ajuda a construir um mundo onde ela cresça sabendo que pode ocupar qualquer espaço amanhã.
Tudo o que construo não é apenas para mim.
É para as mulheres que caminham ao meu lado.
É para as mulheres que virão depois de nós.
Mas existe uma lição que a vida me ensinou ao longo dessa caminhada.
Nenhuma mulher chega longe sozinha.
Nós precisamos umas das outras.
Precisamos parar de competir e começar a construir.
Precisamos trocar julgamento por apoio.
Precisamos substituir a disputa pela união.
Porque quando uma mulher avança sozinha, ela conquista um espaço.
Mas quando as mulheres avançam juntas, elas transformam a sociedade.
E é exatamente isso que estamos celebrando aqui hoje.
Mulheres que decidiram abrir caminhos para que outras pudessem passar.
Mulheres que entenderam que sucesso não é chegar primeiro.
Sucesso é chegar e estender a mão para quem vem depois.
E existe uma história que me marcou profundamente durante a preparação deste evento.
Uma das mulheres convidadas para ser homenageada me disse que não se sentia digna de estar aqui.
Ela acreditava que fazia pouco.
Que existiam pessoas mais importantes.
Que talvez não merecesse esta homenagem.
E eu quero aproveitar este momento para dizer algo não apenas para
ela, mas para todas as mulheres que estão me ouvindo.
Nós precisamos aprender a reconhecer o nosso próprio valor.
Precisamos aprender a enxergar a grandeza daquilo que fazemos.
Nem toda transformação acontece diante dos holofotes.
Nem toda mudança aparece nos jornais.
Nem toda liderança ocupa um cargo.
Às vezes, a transformação acontece dentro de uma sala de aula.
Dentro de um consultório.
Dentro de uma comunidade.
Dentro de uma casa.
Às vezes, a maior revolução é o acolhimento de uma pessoa que estava prestes a desistir.
Às vezes, a maior liderança é permanecer firme quando tudo ao redor pede que você desista.
Você não precisa ser famosa para ser extraordinária.
Você não precisa ser conhecida por todos para mudar vidas.
Você não precisa ocupar um palco para deixar um legado.
E se você foi escolhida para estar aqui hoje, é porque sua história importa.
Sua caminhada importa.
Sua contribuição importa.
Sua existência importa.
Por isso, sintam-se dignas.
Sintam-se merecedoras.
Sintam-se abraçadas.
Sintam-se celebradas.
Porque esta homenagem não é apenas um troféu.
Ela é um símbolo.
Um símbolo de que alguém viu sua luta.
Alguém reconheceu sua dedicação.
Alguém percebeu a diferença que você faz no mundo.
E eu tenho orgulho de cada mulher que está sentada neste auditório nesta noite.
Orgulho das suas histórias.
Orgulho das suas conquistas.
Orgulho das suas cicatrizes.
Orgulho da força que carregam.
Vocês representam o melhor da nossa sociedade.
Vocês representam esperança.
Vocês representam transformação.
E eu desejo que esta seja apenas a primeira de muitas edições.
Que possamos ampliar esse abraço.
Que possamos alcançar ainda mais mulheres.
Que possamos construir uma rede cada vez mais forte de apoio, reconhecimento e valorização feminina.
Porque quando uma mulher transforma a própria história, inspira outras mulheres.
Mas quando muitas mulheres se unem para transformar suas histórias, elas transformam o mundo.
E é por isso que estamos aqui.
Para celebrar mulheres.
Para celebrar trajetórias.
Para celebrar coragem.
Para celebrar legado.
E para lembrar que juntas somos muito mais fortes.
Muito obrigada.
Patrícia Guimarães, presidente da FAJ/OAB-DF
