InícioTECNOLOGIAChina quer que empresa dona da 99 tenha controle estatal; entenda

China quer que empresa dona da 99 tenha controle estatal; entenda

Unsplash/Macau Photo Agency

Bandeira da China

A cidade de Pequim estuda a possibilidade de colocar a Didi Global, dona da 99 no Brasil, sob controle estatal, e propôs que empresas estatais investissem na companhia chinesa de transporte online, informou a Bloomberg News.

Por sua vez, a gigante chinesa do comércio eletrônico Alibaba prometeu investir mais de US$ 15 bilhões em causas beneficentes — num esforço para atender as exigências do governo de “dividir prosperidade” no país — o que fez com que suas ações despencassem na bolsa de valores.

A ideia central da proposta do governo de Pequim é recuperar o controle de uma de suas maiores empresas e, em particular, os dados que possui, de acordo com reportagem da Bloomberg publicada nesta sexta-feira (3).

De acordo com a proposta preliminar, algumas empresas sediadas em Pequim, incluindo o Shouqi Group, que faz parte do Grupo de Turismo de Pequim, de propiedade estatal, poderiam adquirir uma participação na Didi, segundo fontes familiarizadadas com o assunto citadas pela agência de notícias.

Outros cenários levados em consideração são de o consórcio adquirir uma participação nominal acompanhada de uma chamada “golden share” com poder de veto e assento no conselho de administração, acrescentou.

A Didi, o governo da cidade de Pequim, o Grupo de Turismo de Pequim e o Grupo Shouqi não responderam imediatamente aos pedidos de comentários feitos pela agência Reuters.

Em julho, o The Wall Street Journal informou que a Didi estava considerando fechar o capital para amenizar as preocupações da China sobre a segurança dos dados e compensar as perdas dos investidores desde a abertura do capital nos Estados Unidos. A Didi mais tarde negou essa informação.

“Esperávamos alguma ação, mas não dessa magnitude. A grande questão é o que acontecerá com os investidores de Didi”, disse Justin Tang, chefe de pesquisa asiática da consultoria de investimentos United First Partners, em Cingapura.

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“Essa medida é tão precipitada quanto a regulamentação das empresas de educação. Com todas as concessões feitas pelas empresas de tecnologia chinesas recentemente, pensávamos que haveria alguns rebentos verdes, mas é uma medida inesperada”, enfatizou.

As ações da Didi chegaram a subir até 8%, mas reduziram a alta para 4,5% no pregão pré-abertura. Consultores afirmaram que os investidores em ações parecem ter gostado da proposta do governo da cidade de Pequim. “É um resultado melhor do que ir à falência como a educação privada”, disse Dave Wang, estrategista de portfólio da Nuvest Capital, também em Cingapura.

Ações da Alibaba despencam

Já a Alibaba, do bilionário chinês Jack Ma, viu suas ações despencarem nesta sexta-feira, depois de prometer investir 100 bilhões de yuans (o equivalente a US$ 15,4 bilhões) em causas beneficentes, em resposta ao apelo feito pelo presidente Xi Jinping em agosto.

O chefe de Estado chinês pediu aos mais ricos de seus compatriotas que trabalhassem mais pela “prosperidade comum”, em um país onde o boom econômico das últimas décadas acentuou as desigualdades.

Sob os holofotes das autoridades nos últimos meses por diversos motivos — desde a coleta abusiva de dados pessoais até denúncias de práticas monopolistas — o Alibaba decidiu atender ao apelo. “O grupo está ansioso para contribuir para a conquista da prosperidade comum”, disse o executivo do Alibaba, Daniel Zhang, em um comunicado.

A gigante do comércio eletrônico anunciou que quer investir nas áreas de inovação tecnológica, pequenas e médias empresas e até no bem-estar dos trabalhadores precários.

Com isso, as ações do grupo caíram 4% na Bolsa de Hong Kong nesta sexta-feira, devido à preocupação dos investidores sobre as consequências da iniciativa para a empresa. “Esta doação não garante ao Alibaba que não será afetado por outras medidas regulatórias”, disse Castor Pang, analista da Core Pacific Yamaichi, à Bloomberg News.

Os reguladores chineses estão apertando o cerco e tentando recuperar o controle das empresas de tecnologia após anos de legislação relativamente frouxa. Este ano, o Alibaba foi multado em € 2,3 bilhões por dificultar a concorrência.

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