“Inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades”, afirma Paulo Freire. Seguindo esse princípio, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) realizou, nesta quarta-feira (2), o 1º Seminário do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em Salas de Recursos Generalistas. O evento, que coincide com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, destacou a diversidade na aprendizagem e o papel das salas de recursos no atendimento a estudantes com deficiência.
Encontro destacou a diversidade na aprendizagem e o papel das salas de recursos no atendimento a estudantes com deficiência | Foto: Mary Leal/SEEDF
Realizado no auditório do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), na Asa Norte, o seminário foi idealizado pela Subsecretaria de Educação Inclusiva e Integral (Subin) e pela Diretoria de Educação Inclusiva e Atendimentos Educacionais Especializados (Dein) da SEEDF, com o apoio da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do DF (Apae-DF).
A subsecretária de Educação, Vera Lúcia Barros, ressaltou a importância das salas de recursos na inclusão escolar: “Esses espaços e o trabalho dos professores especializados garantem a inclusão dos estudantes com deficiência. O seminário traz debates essenciais sobre as competências desenvolvidas nesse ambiente, fortalecendo a interação entre professores, famílias e escolas”.
“O seminário é um espaço essencial para discutirmos os desafios e avanços da nossa rede, sempre focando nos direitos dos estudantes e no papel da educação inclusiva”
Dulcinete Alvim, diretora da Dein
Vera Barros também anunciou a criação do Observatório da Educação Inclusiva e Integral, uma iniciativa da Subin para ampliar a participação da comunidade na construção de políticas educacionais. “O observatório será uma plataforma acessível e democrática, permitindo que a sociedade registre desafios e avanços na inclusão escolar. Nosso objetivo é coletar informações diretamente da ponta, garantindo uma gestão mais eficiente e alinhada à equidade”, explicou.
A estrutura será formalizada por portaria e funcionará na sede da SEEDF, com participação de órgãos como o Ministério Público e a Defensoria Pública. Também contará com uma central de atendimento para receber sugestões e demandas da comunidade escolar.
Novos caminhos para a inclusão
A diretora da Dein, Dulcinete Alvim, falou sobre a necessidade de reestruturação das políticas de educação inclusiva no DF. Segundo ela, há uma proposta em andamento para fortalecer as salas de recursos e ampliar o suporte aos estudantes com deficiência.
“Estamos finalizando um processo de reestruturação que vai aprimorar a inclusão escolar. O seminário é um espaço essencial para discutirmos os desafios e avanços da nossa rede, sempre focando nos direitos dos estudantes e no papel da educação inclusiva.”
Ciclo de palestras
O 1º Seminário do AEE em Salas de Recursos Generalistas contou com palestras e debates sobre metodologias de ensino inclusivo e práticas pedagógicas bem-sucedidas na rede pública. Pela manhã, a professora da SEEDF Jane Carrijo falou sobre o protagonismo do professor do AEE no processo inclusivo.
“O atendimento educacional especializado é o alicerce da educação especial dentro do processo de inclusão. Como rede inclusiva e com a educação especial sendo uma modalidade de ensino que perpassa todos os ciclos e etapas da educação básica, nós, professores de salas de recursos, devemos fincar o nosso pé no chão da escola para assegurar o direito do nosso estudante com deficiência ao atendimento educacional especializado”, declarou.

A banda Baião de 2, formada por alunos e professores da Apae-DF, apresentou canções autorais e sucessos de artistas como Renato Russo, no início do evento
Participação especial
A abertura do seminário teve uma apresentação musical da banda Baião de 2, formada por alunos e professores da Apae-DF. O grupo atua como um recurso terapêutico e inclusivo, permitindo que pessoas com deficiência expressem sua arte por meio da música. O repertório incluiu canções autorais e sucessos de artistas como Renato Russo.
O projeto foi idealizado pela arte-educadora Karla Taciano, professora de artes da SEEDF. “Comecei com o teatro e percebi que a música facilitava muito o desenvolvimento deles. Com o tempo, passamos a circular pelas escolas. Muitas crianças da rede pública nunca tiveram contato com pessoas com deficiência e, quando assistem às apresentações, surpreendem-se: ‘Eles são muito iguaizinhos à gente’. Isso é o mais gratificante: quebrar barreiras e promover a inclusão de verdade”.
Para apoiar o trabalho dos estudantes, a banda está arrecadando recursos para finalizar uma música. Interessados podem acessar o site da Apae-DF ou seguir o Instagram @baiao_de_2 para mais informações.
*Com informações da Secretaria de Educação (SEEDF)
Fonte: Agência Brasília