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CEARÁ

Setembro Amarelo: crianças e adolescentes merecem maior atenção e cuidado

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Milena Fernandes – Ascom HSM Texto e Foto
Brauliana Barbosa Arte gráfica

Núcleo de Atenção à Infância e Adolescência (Naia) oferece atendimento gratuito exclusivamente para o tratamento de transtornos psiquiátricos que acometem crianças e adolescentes

Neste mês em que a campanha Setembro Amarelo alerta a população sobre a importância da prevenção ao suicídio e valorização da vida, os cuidados com a saúde mental do público mais jovem também merece maior atenção. No Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o Núcleo de Atenção à Infância e Adolescência (Naia) oferece atendimento gratuito exclusivamente para o tratamento de transtornos psiquiátricos que acometem crianças e adolescentes.

O pai de um dos pacientes, Jaime Aderaldo (nome fictício), 48, revela que sua filha, 16, já praticou autolesão, o que deixou os familiares bastante apreensivos. “Ela tem depressão, ansiedade e síndrome do pânico. Passamos momentos difíceis, em que ela ficou muito abalada, e somente com a ajuda de profissionais especializados estamos conseguindo a ajuda que ela necessita para sair da crise”, enfatiza.

Conforme a psicóloga do Naia, Juliana Sampaio, a automutilação, também chamada de autolesão, é um acontecimento antigo, porém tem sido bastante discutido nas últimas décadas. “A automutilação se define como dano provocado a uma parte do corpo pelo próprio indivíduo, geralmente com a intenção de aliviar uma dor emocional e reduzir a angústia, trazendo um ‘alívio momentâneo’ desse sentimento. O adolescente pode muitas vezes tentar disfarçar seus sentimentos e emoções quando passa por situações difíceis. Alguns deles encontram dificuldades em pedir ajuda ou falar sobre o problema, o que pode fazer com ele acabe se isolando”, pontua.

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Alguns sinais importantes devem ser considerados como alerta. “Geralmente, eles demonstram ansiedade e tristeza com bastante intensidade; irritação; agressividade sem motivo aparente; apatia; isolamento social; perda de interesse por atividades que antes costumavam praticar; falta de interesse pelos estudos e pela escola; uso de frases como: ‘preferia estar morto’, ‘sou um peso na vida das pessoas’, ‘eu queria dormir para sempre’, entre outras”, relata a psicóloga.

Importância do diálogo

Apesar desses sinais de alerta serem muito importantes como forma de identificar e prevenir o problema, a melhor maneira de descobrir se há um sofrimento emocional importante é conversando e perguntando diretamente ao adolescente.

A psiquiatra da Infância e Adolescência, Letícia Cavalcante, que trabalha no Naia do HSM, orienta a família a observar as mudanças comportamentais dos filhos. “A qualquer sinal de que algo está inadequado no comportamento deles, seja por autolesão ou ideação suicida, há um alerta de que eles estão precisando de ajuda. Neste caso, não deixe o adolescente sozinho. Escute, apoie esse adolescente, levando-o para um acompanhamento médico e psicológico”.

Outra dica importante da especialista é a utilização de estratégias de enfrentamento para lidar com pensamentos negativos. “Incentive essa criança ou adolescente a fazer exercícios físicos, ouvir músicas, utilizar técnicas de respiração para relaxar, ler bons livros, fortalecer vínculos afetivos com a família e amigos, evitar uso de álcool e outras drogas e realizar tratamento adequado para o transtorno mental, sempre que for necessário”.

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É importante incentivar a pessoa que está apresentando sinais de que pretende cometer suicídio a procurar ajuda especializada, levando o paciente até uma unidade de saúde, como a Emergência do Hospital de Saúde Mental, para o acolhimento e a avaliação.

O HSM conta com uma emergência que funciona 24 horas, todos os dias, e atende os casos mais graves. O telefone para informações é: (85) 3101-4342/ 3101-4348. Além disso, o atendimento remoto pode ser feito pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do número 188 ou pelo site www.cvv.org.br.

Atendimento no Naia – HSM

O Núcleo de Atenção à Infância e Adolescência do HSM atende cerca de 400 pacientes (crianças e adolescentes), da Capital e do interior do Ceará.

Entre os principais casos atendidos, estão: psicose, transtorno de humor, TDAH, autismo e ansiedade. Para atender a demanda, o Naia conta com equipe formada por psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, terapeuta ocupacional, pediatra e nutricionista.

O atendimento é considerado referência na área de ensino por oferecer Residência em Psiquiatria e Especialização em Infância e Adolescência. O atendimento é realizado de segunda a sexta, das 8h às 17h. Para ser atendido, é necessário passar pela Central de Regulação.

Fonte: Governo do Estado do Ceará

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