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Homenagem aos médicos enfatiza os desafios e a dedicação dos profissionais de Saúde


O enfrentamento à Covid-19, a importância do SUS e os desafios diários dos profissionais de Saúde foram destaques na audiência pública remota da Câmara Legislativa em comemoração ao Dia do Médico (18 de outubro). A deputada autora da iniciativa, Arlete Sampaio (PT), médica sanitarista, ressaltou a importância de homenagear os médicos, principalmente no período de pandemia, como forma de reconhecer a dedicação da categoria. “Eu espero que, como resultado deste sofrimento enorme que todo o povo brasileiro está vivendo hoje, fique essa compreensão da necessidade fundamental de fortalecer o nosso SUS e valorizar os profissionais de saúde” – afirmou.

Sampaio também lamentou os escândalos envolvendo gestores da Saúde no Distrito Federal e a situação do Instituto Cardiológico de Brasília que, segundo ela, se encontra “totalmente paralisado por falta de recursos”. Para a deputada, o governador Ibaneis Rocha iniciou as ações de restrição no DF no início da pandemia porque a Secretaria de Saúde não estava preparada. “É muito preocupante a situação da Saúde, mas a gente está vendo, por outro lado, a seriedade com que os profissionais da saúde têm enfrentado esse contexto, apesar das precariedades”.

O presidente do Conselho Regional de Medicina, Farid Buitrago, também defendeu o fortalecimento do SUS e homenageou “os médicos que colocam a própria vida em risco” no cuidado aos pacientes com Covid-19. “Pudemos observar como os profissionais de saúde e como os médicos se desdobraram no dia a dia para salvar muitas vidas. Tenho certeza de que, se não fosse a atitude deles, muito provavelmente o número de vítimas fatais dessa doença seria muito maior. Nosso agradecimento a esses profissionais que se dedicaram diuturnamente ao tratamento de todos os pacientes que foram contaminados pela Covid”.

Para o presidente da Associação Médica de Brasília, Ognev Cosac, a pandemia deu novo protagonismo à classe médica: “Mais do que nunca ficou provada a absoluta necessidade e importância da nossa profissão. A população voltou a dar valor ao conhecimento médico, da especialização médica e da boa formação médica. É essa chama de esperança que precisamos manter acesa. Se pelo sofrimento nos requisitam, também é pelo sofrimento que haveremos de resgatar de forma plena o respeito e a valorização que tanto almejamos”.

O presidente do Sindicato dos Médicos e da Federação Nacional do Médicos, Gutemberg Fialho, destacou a importância de se homenagear os médicos não apenas devido à pandemia, mas “pelo dia a dia dos colegas médicos que estão trabalhando no sistema público de saúde e mesmo na medicina suplementar e privada, com condições difíceis: tendo seus honorários médicos precarizados, sendo explorados pelos planos de saúde, com péssimas condições de trabalho”. Ele também criticou as “políticas de precarização” do SUS, “pelos governos que se sucedem”. De acordo com ele, os médicos têm trabalhado no enfrentamento à Covid-19 em condições precárias, “com falta de EPIs e insumos, sobrecarregados, cumprindo a missão de assistir a população, salvando vidas e literalmente arriscando a própria vida”.

De acordo com o médico sanitarista da Fiocruz Cláudio Henriques, a pandemia não está no fim e é necessário valorizar o sistema público para que se tenha confiança nas orientações e, também, para que a vacinação, que será realizada pelo SUS, tenha êxito. “Nós conseguimos, neste período no Brasil, organizar e ter recursos para serviços de alta complexidade que têm atendido situações mais graves e evitado que a mortalidade seja ainda maior sem deixar de cuidar de outras doenças que não deixaram de existir por causa da pandemia” – ressaltou. O combate mais eficaz, segundo ele, depende de “governantes” com a “coragem de impedir a realização de atividades que são de elevados riscos ao invés de dar valor maior a pressões políticas e econômicas”.

Homenagens

Arlete Sampaio convidou duas infectologistas do Hran, Joana D’Arc e Ana Helena, para serem homenageadas em nome de todos os médicos e relatarem a luta diária “na linha de frente” contra a Covid-19. Emocionada, Joana D’Arc contou que no início não imaginava a seriedade da doença. “De repente, a gente estava no meio do furacão. Não tínhamos hora para voltar para casa. Foram perdas incalculáveis, inesperadas, dor implacável, era evidente a nossa fragilidade, a nossa vulnerabilidade e a sensação de impotência” – relatou. Para ela, medidas preventivas simples se tornaram “complexas e impraticáveis” devido a conflitos ideológicos. “O mais extraordinário foi visualizar a união e espírito de solidariedade que aos poucos foi sendo construído”.

Em seu depoimento, Ana Helena destacou a importância do aprimoramento profissional constante e do trabalho em equipe. “A pandemia nos deixou translúcida a ideia de que não somos super-heroínas, super-heróis que combatem o mal somente com seus superpoderes. A necessidade crescente de aprofundamento, atualização dos conhecimentos, transformou a nossa forma de trabalho e aumentou nossa necessidade de trabalhar em equipe”. Para ela, a “atuação multidisciplinar” provou ser indispensável para qualquer tratamento. “Que nós comemoremos não somente o Dia do Médico, mas lembremos de todos aqueles que tornam o nosso trabalho mais suave: enfermagem, fisioterapia, farmácia, nutrição, psicologia, odonto, fono, as equipes de higienização e toda a parte administrativa dessa grande engrenagem que se chama hospital”.

Mario Espinheira
Imagem: Reprodução/TV Web CLDF
Núcelo de Jornalismo – Câmara Legislativa

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